O Web Summit Rio 2026 reuniu algumas das principais discussões sobre tecnologia, inovação e futuro dos negócios. Entre os temas que ganharam destaque, um deles é especialmente sensível para empresas brasileiras: a transformação da cobrança e da gestão de recebíveis por meio da inteligência artificial.
Durante sua apresentação, Laura Camargo, CEO e Co-Founder da Neofin, trouxe uma visão direta sobre um problema que afeta empresas de diferentes portes e segmentos: o contas a receber ainda é, em muitos casos, manual, fragmentado, pouco inteligente e altamente dependente de planilhas.
Com experiência como CFO e Co-Founder da Inventa, VP de Finanças e Estratégia no Wellhub, investidora em private equity e passagem pela área de crédito do Santander, Laura apresentou uma perspectiva prática sobre como a cobrança deixou de ser apenas uma rotina operacional e passou a ser uma frente estratégica para preservar caixa, reduzir inadimplência e sustentar o crescimento das empresas.
A principal mensagem da palestra foi clara: a nova geração da cobrança não será baseada em abordagens genéricas, ligações repetitivas e controles manuais. Ela será orientada por dados, comportamento, risco, automação e Agentic AI.
Fluxo de caixa: o oxigênio invisível dos negócios
Laura abriu a apresentação com uma metáfora forte: o fluxo de caixa é como o oxigênio para o corpo humano. Quando está presente, quase ninguém pensa nele. Mas, quando falta, ele se torna a única coisa que importa.
Essa comparação resume bem a importância do contas a receber para a saúde financeira de uma empresa. Afinal, vender é essencial, mas receber no prazo é o que mantém a operação funcionando, permite investimentos, reduz pressão sobre capital de giro e dá previsibilidade para decisões estratégicas.
O problema é que muitas empresas ainda tratam a cobrança como uma atividade reativa, acionada apenas quando o atraso já aconteceu. Na prática, isso cria uma operação financeira mais lenta, menos previsível e mais vulnerável à inadimplência.
Quando o fluxo de caixa começa a ser comprometido, os impactos aparecem em cadeia: dificuldade de planejar pagamentos, aumento da dependência de crédito, pressão sobre o time financeiro e perda de eficiência operacional.
Por isso, a cobrança inteligente deixou de ser apenas uma melhoria de processo. Ela passou a ser uma necessidade para empresas que querem crescer com mais controle, previsibilidade e segurança financeira.
O desafio da inadimplência e da cobrança no Brasil
A apresentação também trouxe um diagnóstico importante sobre o cenário brasileiro. Segundo os dados apresentados, 36% das empresas brasileiras, cerca de 9 milhões, possuem dívidas reportadas a bureaus de crédito, somando mais de US$ 40 bilhões. Além disso, 50% da população adulta, cerca de 82 milhões de pessoas, também possui dívidas reportadas, totalizando mais de US$ 100 bilhões.
Esse contexto mostra que a inadimplência não é um problema isolado. Ela afeta empresas, consumidores, cadeias de pagamento e a liquidez de todo o mercado.
Além disso, cerca de 35% das faturas são pagas com atraso. Para os times financeiros, isso significa mais esforço manual, mais follow-ups, mais retrabalho e menos previsibilidade sobre o dinheiro que deveria entrar no caixa.
O grande desafio é que boa parte das empresas ainda tenta resolver esse problema com processos antigos: planilhas, controles descentralizados, réguas genéricas de cobrança, pouca personalização e baixa visibilidade em tempo real sobre os indicadores da operação.
Esse modelo até pode funcionar em pequena escala. Mas, conforme a carteira cresce, ele se torna caro, lento e difícil de controlar.
Por que o modelo tradicional de cobrança ficou para trás
Um dos conceitos centrais apresentados por Laura foi o “Spreadsheet Nightmare”, ou o pesadelo das planilhas. A expressão representa a realidade de muitos times de contas a receber: processos manuais, comunicação genérica, baixa personalização e uma rotina altamente operacional.
Na cobrança tradicional, é comum que empresas acionem clientes por canais pouco eficientes, em horários inadequados ou com mensagens padronizadas que não consideram o contexto de cada devedor. O resultado é uma experiência ruim para o cliente e uma operação desgastante para o time financeiro.
Esse modelo gera alguns problemas recorrentes:
- abordagens pouco personalizadas;
- baixa eficiência na recuperação de valores;
- excesso de tarefas manuais;
- dificuldade de acompanhar KPIs em tempo real;
- perda de histórico do relacionamento financeiro;
- desgaste na relação com clientes;
- sobrecarga dos times de cobrança e contas a receber.
Outro ponto importante é que nem sempre o atraso acontece por falta de intenção de pagamento. Muitos clientes até querem pagar, mas acabam travando por burocracia, constrangimento, dificuldade de negociação ou baixa disponibilidade de canais mais simples e amigáveis.
Quando a empresa trata todos os inadimplentes da mesma forma, ela perde a oportunidade de construir uma estratégia mais eficiente. Um cliente que esqueceu o vencimento não deve receber a mesma abordagem de um cliente com histórico recorrente de atraso ou maior risco financeiro.
É exatamente aí que a inteligência artificial começa a mudar a lógica da cobrança.
O que é Agentic AI e como ela se aplica ao contas a receber
Agentic AI representa uma evolução da automação tradicional. Em vez de apenas executar tarefas pré-configuradas, ele consegue analisar dados, interpretar padrões, recomendar ações e adaptar estratégias de acordo com o comportamento e o risco de cada cliente.
No contas a receber, isso significa sair de uma cobrança genérica para uma operação mais inteligente, personalizada e orientada por dados.
Com Agentic AI, a empresa consegue entender, por exemplo:
- qual cliente tem maior chance de pagar após um lembrete simples;
- qual precisa de uma abordagem mais consultiva;
- qual canal de comunicação tende a gerar mais resposta;
- qual frequência de contato é mais adequada;
- qual tom de voz pode aumentar a conversão;
- quais clientes apresentam maior risco de inadimplência recorrente.
Na prática, a IA ajuda o time financeiro a tomar decisões mais rápidas e precisas. Em vez de depender apenas de tentativa e erro, a operação passa a usar dados comportamentais, histórico de pagamento e sinais de risco para definir a melhor estratégia de cobrança.
Isso torna o processo mais eficiente para a empresa e menos desgastante para o cliente.
Cobrança personalizada: o fim das réguas genéricas
Durante a apresentação, Laura destacou uma mudança fundamental: a cobrança precisa considerar o perfil de cada devedor.
Nem todo cliente inadimplente é igual. Existem clientes que não conseguem pagar em determinado momento, mas agem de boa-fé. Outros apresentam maior risco, histórico recorrente de atraso ou baixa intenção de pagamento. Quando todos são tratados da mesma forma, a cobrança perde eficiência e pode prejudicar o relacionamento comercial.
A proposta da Neofin é substituir réguas genéricas por uma estratégia baseada em comportamento e risco.
Com o uso de IA, a cobrança pode ser adaptada de acordo com variáveis como:
- perfil do cliente;
- histórico de pagamento;
- comportamento de atraso;
- canal de maior engajamento;
- nível de risco;
- estágio da dívida;
- probabilidade de recuperação.
A partir desses dados, a plataforma consegue definir o canal ideal, a frequência de abordagem e o tom de voz mais adequado para cada situação.
Isso permite que empresas deixem de cobrar “mais” e passem a cobrar “melhor”.
A diferença é importante. Cobrar mais pode significar aumentar o volume de mensagens, ligações e contatos manuais. Cobrar melhor significa usar inteligência para abordar a pessoa certa, no momento certo, pelo canal certo e com a mensagem mais adequada.
O ecossistema tecnológico da cobrança inteligente
Outro ponto apresentado por Laura foi a importância de conectar toda a operação de recebíveis em um único ecossistema inteligente.
A solução da Neofin foi apresentada como uma plataforma de Agentic AI, conectando dashboards, CRM financeiro, workflows inteligentes de cobrança, WhatsApp, integrações com ERPs e bancos, além do agente de IA integrado aos diferentes módulos da operação.
Essa integração é essencial porque a cobrança não depende apenas do envio de mensagens. Ela envolve dados financeiros, histórico do cliente, informações bancárias, status de faturas, canais de comunicação, indicadores de performance e decisões estratégicas.
Quando essas informações ficam espalhadas em sistemas diferentes ou planilhas isoladas, o time perde tempo, visibilidade e capacidade de ação.
Com uma operação integrada, a empresa passa a ter:
- visão centralizada da carteira de recebíveis;
- acompanhamento de KPIs em tempo real;
- histórico completo do relacionamento financeiro;
- automação de fluxos de cobrança;
- comunicação personalizada em múltiplos canais;
- recomendações baseadas em dados;
- maior controle sobre inadimplência e recuperação.
Esse modelo cria o que Laura chamou de ciclo financeiro virtuoso: dados alimentam a automação, a automação potencializa a inteligência artificial, a IA melhora a recuperação, a recuperação fortalece o caixa e o caixa sustenta o crescimento da empresa.
Resultados práticos e ROI da cobrança inteligente
Além de apresentar a visão tecnológica, Laura também mostrou resultados práticos da aplicação da Neofin em operações reais.
Um dos exemplos destacados foi o ganho de eficiência em diferentes segmentos, como empresas de serviços, distribuidoras e instituições de ensino. Os resultados mostraram aumento relevante nas cobranças por dia e ROI superior a 1.800% nos cenários apresentados.
Esses dados reforçam um ponto importante: a cobrança inteligente não é apenas uma tendência tecnológica. Ela tem impacto direto na eficiência operacional, na recuperação de valores e na liquidez das empresas.
Em um cenário em que o acesso a capital pode ser caro e a inadimplência pressiona o caixa, recuperar valores com mais velocidade e menos esforço operacional se torna uma vantagem competitiva.
O futuro da cobrança é inteligente, integrado e personalizado
A palestra de Laura Camargo no Web Summit Rio 2026 reforçou uma mudança importante no mercado financeiro B2B: a cobrança está deixando de ser uma função operacional e passando a ocupar um papel estratégico dentro das empresas.
Com agente de IA, dados e automação, o contas a receber pode se tornar uma área mais previsível, eficiente e conectada à experiência do cliente.
O futuro da cobrança não está em aumentar a pressão sobre o cliente, mas em tornar a abordagem mais inteligente. Isso significa entender comportamento, adaptar mensagens, escolher canais mais eficientes e agir com base em dados, não apenas em processos manuais.
Empresas que ainda dependem de planilhas, réguas genéricas e baixa visibilidade tendem a enfrentar mais dificuldade para escalar suas operações financeiras. Já aquelas que adotam tecnologia conseguem reduzir retrabalho, melhorar a recuperação e proteger o fluxo de caixa com mais precisão.
Como Laura destacou ao final da apresentação: “Quem não cobra… não recebe”.
Mas a nova geração da cobrança mostra que receber melhor não depende apenas de cobrar mais. Depende de inteligência, personalização e tecnologia aplicada ao contas a receber.
Conclusão
A participação da Neofin no Web Summit Rio 2026 trouxe uma reflexão essencial para empresas brasileiras: em um mercado marcado por atrasos, inadimplência e processos financeiros ainda muito manuais, a transformação da cobrança não pode mais ficar para depois.
A Agentic AI surge como uma resposta para empresas que precisam preservar caixa, reduzir perdas, automatizar tarefas, personalizar abordagens e transformar o contas a receber em uma operação estratégica.
Mais do que uma ferramenta de cobrança, a nova geração de soluções inteligentes representa uma mudança de mentalidade. O objetivo não é apenas recuperar valores em atraso, mas criar um modelo financeiro mais eficiente, previsível e sustentável.
Para empresas que buscam crescer com mais controle sobre recebíveis, a mensagem é clara: a cobrança do futuro já começou — e ela é orientada por dados, automação e inteligência artificial.
Conheça a Neofin e descubra como tornar sua cobrança mais eficiente, personalizada e estratégica.
